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Reportaje sobre China, de Olof Lagercrantz

Olof Lagercrantz, redactor-chefe do jornal sueco Dagens Nyether, foi o primeiro jornalista europeu que visitou a República Popular de China após a Revoluçom Cultura, um periodo complexo e cheio de polémicas que marcou um antes e um depois na evoluçom do gigante asiático. Logo de visitar o país, publicou umha serie de artigos nos que analisava diferentes aspectos da vida quotidiana que agrupou no livro Reportaje sobre China, editado no Estado Espanhol por Anagrama nos anos 70.

Lagercrantz fala dumha China que hoje já nom existe. Na altura ainda era um país eminentemente rural no qual a construçom do socialismo ocupava boa parte da vida de todos os entrevistados, e nas cidades a gente circulava em bicicleta. Hoje, China semelha o contrario, com umha urbanizaçom crescente na que as duas rodas cedem ante as quatro e o capitalismo está a ordem do dia.

Mais alem do passo do tempo, cumpre ter em conta outras questons á hora de ler estas reportagens. A primeira e mas importante é o feito de realizar umha visita programada, e polo tanto controlada, -algo normal, tendo em conta que Lagercrantz era o primeiro europeu em muitos anos- o que limita o que puido ver e mais a correspondência entre o que viu e o que realmente ocorria. O jornalista pouca vezes mantém umha conversa directa com as fontes, já que na maioria das ocasons há tradutores ou intérpretes, posto que Lagercrantz desconhecia o mandarim.

Ao ler as referência á “mitologia” maoista por parte do jornalista sueco, dá a sensaçom de que el mesmo crê neles. Pode ser que no momento ainda estiveram vigentes, ou que o passo do tempo revelou que se bem as ensinanzas de Mao podem ser úteis e acertadas, o seu autor nom era o tipo de homem que queria fazer crer. Como mostra, o parágrafo final do capítulo 14:

“Mao Tse-Tung es maestro y estadista, apenas es dogmático. Ello es un motivo de esperanza para China y para todos nosotros.”

A pesar de todo isto, nom deixam de ser boas reportagens, que ajudam a compreender o que chegou a ser ou o que puido ser e nom foi a China socialista. Encontrar este tipo de livros é mui complicado, a nom que se busque de jeito deliberado pola Internet, o que lembra a necessidade de rebuscar entre os andeis das livrarias na busca destes pequenos tesouros.

Para rematar, umha longa cita na que o autor analisa criticamente as actitudes e opinions do momento sobre as consequências da Revoluçom Chinesa e a suposta superioridade ocidental:

“Hemos exterminado la casi totalidad de la población indígena de Norteamérica y Sudamérica. En las cámaras de gas y los campos de concentración hemos exterminado a todo un pueblo, el pueblo judío europeo. Y en el plazo de menos de cincuenta años hemos llevado a cabo dos horrendas “guerras civiles” en las que murió gran parte de la juventud europea. Hemos arrasado ciudades enteras y hemos permitido que mujeres y niños se quemaran vivos entre las ruinas. Y a pesar de ello, nos consideramos personas civilizadas y razonables”.

Mui certo (e acertado).

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